Quem és ? : Minha vida ...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Minha vida ...



Minha vida era um ir e voltar. Baseava se na minha natureza, naquilo que achava que era o meu dever ir e voltar. Quando ia levava tanto de ti, coisas inexplicáveis e por vezes impalpáveis mas o teu olhar sobre mim colocava me sempre a tua mercê e eu nem me preocupava com esse teu jeito de ser. Tudo o que tinha que fazer era ir e voltar… Quando a saudade apertava usava o meu forte perfume para te encantar e fazer-te voltar ate mim. Aceitavas o convite e como que entrando na minha casa descalçavas te e caminhavas pela areia pousando os teus meigos pés em mim e suspiravas… Como eu amava o teu suspiro, ali lamentavas o teu dia e outras tantas vezes sorrias enquanto te ouvia molhava te delicadamente num vai e vem, nunca te abandonei. Muitas das vezes abrandei o meu jeito bravo de ser, só para sentir a tua pele em mim… Os teus cabelos eram longos e castanhos cor de mel, deslumbrava me ver o teu rosto húmido por causa da minha brisa pois tinhas uma pele branca mui branca com sardas espalhadas pelo nariz. Mas o que eu nunca consegui ver foi a cor dos teus olhos. Foram tantas as vezes que te baixaste e colocaste me na tua mão e espalhas te me pela tua face.
Eu sabia que procuravas em mim uma frescura que o teu dia ainda não te tinha dado e somente eu a poderia dar. Estava em mim o poder de te aliviar de todos os fardos. Era essa a minha missão ir a ti e levar tudo o que me davas para bem longe de ti. Mas, como até diz o ditado há um ir e não voltar e não fui eu que fiquei em falta foste tu. Declaro o dia da tua partida como a chegada da minha revolta. Era um dia mui chuvoso, claramente de muito frio não esperava a tua visita, contudo no meio do nevoeiro senti os teus calcanhares a percorrer a areia da minha casa com muita pressa, apressada demais diria. Olhei te como perdida, e no meio da chuva e no meio do nevoeiro e da brisa tu molhaste me a mim, sim, molhas te eu senti. Percorreste me como não imaginei batias me com as mãos numa fúria terrível e assustadora, gritavas e molhavas me tanto … mas tanto com as tuas lágrimas. Sentia elas a cair em mim e não pode fazer mais nada, a não ser, somente te abraçar … Perdi me no teu corpo magro e gélido e não tive como aquecer te, não soube parar te, não aprendi a consolar te por inteiro. Queria te para mim mas não podia conter-te… Assim que desisti de te ter somente para mim, tu também desististe e virando as costas saíste com as mãos a passear sobre mim e nunca mais te vi… O dia da tua ida marcou me e gerou em mim a revolta uma mistura de medo, de aflição e saudade. Desde esse dia os humanos tratam me por outro nome quando sentem a minha revolta: Marés Vivas… É o dia que me revolto contra tudo, que bato com toda a minha força contra as rochas contra a areia e que arrasto tudo e devolvo … É uma altura que não me consigo controlar. Perdoa me por isso… E até hoje a minha vida não mudou é ir e voltar, mas trago agora muito menos e quando vou já não é igual apenas porque já não estas aqui…e nem deixas-te me conhecer a cor do teu olhar.


C.

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